sábado, 6 de novembro de 2010

O triste destino do sofá azul

Vocês certamente se lembram do primeiro post desse blog, certo? Pois é, depois de um ano de nobres serviços prestados à comunidade, o bom e velho sofá azul conheceu um trágico destino. As imagens abaixo foram desenterradas com mais de um ano de atraso e revelam a verdade por trás do seu desaparecimento.

O último aconchego...

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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Brasil é pop

Pelo menos por aqui, o Brasil é pop. Nosso presidente molusco, então, nem se fala. Toda hora vem um francês me dizer que o Lula é isso, o Lula é aquilo, o Lula é demais. Mas a francesada também adora o país em si. E os brasileiros também. Nesse tempo todo, toda vez que eu conheço um francês, conversa vai, conversa vem, descobrem que eu sou brasileiro. O sotaque não mente. E aí não tem nem unzinho que seja que não fale que o sonho é ir ao Brasil, que não sei mais o quê. Todos querem saber das praias, das mulheres, das festas, enfim, do povo sofrido e com samba no pé. O que naturalmente nos leva à quadra inevitável de assuntos: Lula, futebol, carnaval e favela. É o clichêzão dando as caras.

Mas não me incomodo. Ser brasileiro na França é meio que uma vantagem. Acho que é um dos únicos países na Europa em que somos bem vistos. Não estou falando de não se incomodarem com a nossa presença. Estou falando de realmente gostarem do povo brasileiro como um todo. Ser imigrante nunca é uma coisa fácil, principalmente em tempos de crise, desemprego e mudanças sociais. Já ouvi relatos de várias pessoas que a imagem dos brasileiros imigrantes em geral não é das melhores em países como Portugal, Itália e Inglaterra. Há exceções, claro. E estou falando o que ouvi, não o que vivi, então fica difícil entrar em detalhes. Mas na França eu tenho conhecimento de causa e digo tranquilamente que as reações são na maioria esmagadora dos casos muito positivas. Os franceses realmente gostam do Brasil e dos seus clichês, além de adorarem tirar sarro da freguesia da seleção em copas do mundo.

Mas se a popularidade do Brasil já está em alta há alguns anos, em época de eleições ela triplicou. Só nesse último mês, cinco das mais relevantes publicações francesas estamparam a capa e até lançaram edições especiais inteiramente dedicadas ao Brasil. Mas de eleições mesmo, falam surpreendentemente pouco. O assunto preferido é o fim do governo Lula e o futuro do país como potência emergente.

Le Monde lançou uma edição especial encadernada com exatas 98 páginas com o sugestivo título "Brasil, um gigante se impõe". Começando obviamente com um balanço do governo Lula, o especial percorre questões sociais, diplomáticas, econômicas, ambientais, políticas, esportivas e até religiosas. Aborda as crianças na favela, Eike Batista, os corruptos de Brasília, o fenômeno das novelas e as heranças de Tom Jobim e de Niemeyer. Termina apresentando traduções de vários textos-chave da história brasileira, como a carta de Pero Vaz de Caminha e o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade.



Libération, jornal de esquerda fundado e dirigido durante alguns anos por Jean-Paul Sartre, lançou um caderno especial focado no que eles chamaram de "as novas caras do Brasil". Além de Lula, óbvio, são apresentados perfis e entrevistas com 10 pessoas que representariam o Brasil de hoje. Anônimos, como uma professora da rede pública ou uma policial militar do Rio encarregada do patrulhamento no morro Santa Marta, e famosos, como o ex-jogador Raí e o Casal 20 do Jornal Nacional, Bonner e Fátima.





Les Inrockuptibles, revista semanal de variedades estilo Trip, traz o Lula (quem mais?) na capa em que anuncia "Brasil, o país onde a esquerda teve êxito". A reportagem de 10 páginas foca o passado do presidente, seu governo centrado em ações sociais, seu discurso simples e eficaz e os motivos pelos quais a maioria dos brasileiros votará na Dilma, ou seja, porque ele mandou.






O Le Monde Diplomatique, parte do grupo Le Monde, mas com um departamento editorial independente, dedicou ao Brasil a edição de outubro/novembro de sua revista bimestral Manière de voir. São quase 100 páginas de conteúdo histórico e geográfico que recontam os últimos 50 anos do país, da ditadura ao governo Lula.







Courrier International estampou o Lula vestido de pré-sal na capa e perguntou: "O milagre Lula existe?" São várias reportagens, incluindo sobre o fracasso das políticas públicas para a educação, a escalada da classe média e o perfil dos candidatos à sucessão. A mais interessante, um balanço das críticas da imprensa brasileira ao governo no mês de setembro, com foco principal nas capas da Veja e da Folha de São Paulo.





No final das contas, Lula conseguiu criar um mito em torno de sua figura tosca. A maioria da imprensa francesa enaltece as conquistas sociais alcançadas durante o seu governo. Eu também. Parte da imprensa francesa cita os escândalos de corrupção do PT, antes visto como último bastião da moralidade no país, e a incrível capacidade do presidente de sair incólume de todos eles. Uma parte menor ainda mostra o outro lado do Bolsa Família: trampolim eleitoral e instrumento de deturpação das desigualdades sociais. De qualquer forma, quer queira, quer não, o Brasil é pop. E um dos grandes responsáveis por essa onda, senão o maior, é ele mesmo: Lula.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O véu da discórdia

Na semana passada, 14 de setembro, o Parlamento francês finalmente aprovou o projeto de lei que proíbe o uso do véu integral – os famosos niqab e burqa – em locais públicos. Com a aprovação, a França torna-se o segundo país europeu a adotar tal medida, poucos meses depois da vizinha Bélgica, em abril.

A lei vem na verdade disfarçada de medida de segurança pública sob o argumento que ninguém pode usar vestes que “dissimulem o rosto”. Exceções são previstas para capacetes de motociclistas, máscaras em caso de epidemias, equipamentos de proteção para trabalhos de soldagem e fantasias de carnaval. Ou seja, o negócio é proibir os véus mesmo.

Daqui a seis meses, quando a lei estiver em plena vigência, quem obrigar uma mulher a portar o véu integral poderá passar um ano no xadrez, alem de pagar uma multa de 30 mil euros. Se a coagida for menor de idade, a pena dobra. Já a mulher que for pega fora de casa com o modelito vai estar sujeita à uma multa de 150 euros, mas não poderá ser forçada à tirá-lo. Será primeiramente convidada à mostrar o rosto e, caso negue, poderá ser detida por até quatro horas para que tenha a identidade verificada.

Esse descompasso nas penas impostas a quem faz e a quem manda fazer é explicado pela crença – plenamente justificável, diga-se de passagem – de que mulher nenhuma usaria um negócio daqueles voluntariamente. Se usa porque quer, paga a multa e estamos conversados. Se for pega de novo, vai ser no máximo obrigada a frequentar um curso de “cidadania”, seja lá o que isso signifique. Agora, se a mulher é obrigada por alguém a sair de casa desse jeito, normalmente por um familiar mais radical, aí o tempo fecha pro sujeito.

Quem defende a nova lei argumenta principalmente que ela protege a dignidade das mulheres, privadas do convívio social pela indumentária. Acho válido. Aqueles que são contra dizem que a proibição é um atentado à liberdade de expressão e religiosa, além de espalhar um tipo de “islamofobia”. Válido também.

Pra não ficar em cima do muro, eu acho que a medida é polêmica, mas nem tão condenável. Deixando de lado os argumentos politicamente corretos e transcendentais, eu entendo que tudo isso possa ser justificado pelo simples respeito à cultura e aos valores sociais de um país. As mulheres ocidentais, por exemplo, quando visitam certos países do mundo islâmico, são fortemente aconselhadas a usarem roupas compridas e a cobrirem os cabelos com véus. Uma adaptação evidente aos costumes locais, já que uma mulher de minissaia, decotão ou cabelos esvoaçantes ofende a maioria do pessoal naquelas bandas. Quem somos nós para discutir?

Então, por que o contrario não pode? Se da mesma maneira que os costumes daqui ofendem os de lá, uma mulher coberta dos pés à cabeça choca a maioria da francesada. E se choca, o governo tem o direito de proibir. E se alguém não gostou da proibição, é só não vir pra cá. Simples assim. Cada um cuida do próprio quintal.

No fim das contas, a celeuma toda que se instaurou serviu pra matar um mosquito com bala de canhão. O mosquito pode ter morrido, mas o buraco na parede é enorme. A França conta com aproximadamente 64,7 milhões de habitantes, mas, segundo dados do Ministério do Interior, apenas algo em torno de duas mil mulheres portam o véu integral. Eu mesmo, nesse tempo todo por aqui, vi só uma vez um grupinho de mulheres de burqa e, confesso, fiquei meio impressionado com a cena. Mas mesmo que seja muito barulho por muito pouco, a nova lei passa na verdade um recado de como a França pretende enfrentar a delicada questão imigratória e defender o “estilo de vida francês”. É a ponta de um iceberg que dá muito pano pra manga. Mas hoje não. Hoje, fico por aqui.

domingo, 12 de setembro de 2010

De volta ao batente

E lá se vão quase dois anos em Paris...

Depois desse tempo todo, resolvi ressuscitar e reformular o blog, da capa à contracapa. Cara nova, conteúdo novo e um compromisso renovado. Porque antes que ele sirva como um meio de comunicação e atualização em massa entre mim e vocês queridos leitores, normalmente família e amigos, além de alguns incautos que aqui acabam aterrissando inadvertidamente (segundo as estatísticas do site, geralmente graças ao "Momento Renato Machado" e seus vinhos minuciosamente resenhados), esse blog vai ser primeiramente uma ferramenta egoísta.

Quer dizer, será feito por mim e para mim, para que de alguma forma esse tempo todo seja documentado, para que eu consiga provar pra mim mesmo que sim, eu posso ter a sempre difícil disciplina voluntária de tocar algo pelo qual eu não ganho absolutamente nada e que necessite de atenção constante. Além de ser uma bela oportunidade para colocar em prática esse exercício de engrandecimento pessoal que é a literatura, ainda que de botequim, com um espírito informal mas não por isso incorreto, tão distante do estilo que a vida profissional costuma impor.

O objetivo então é contar um pouco do que acontece e como acontece por aqui, além de pitacar sobre assuntos relevantes do lado de cá que por um motivo ou por outro não alcançam o lado daí pelos meios convencionais.

Portanto, mãos à obra!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sessão Túnel do Tempo - U2

Meu descaso recente com este blog e minha repentina vontade de trazê-lo de volta à vida me obriga a contar casos antigos, coisas legais que aconteceram mas que não foram publicadas aqui. Resolvi então começar a atualização a partir do fato mais recente, já que os mais antigos já estão bem antigos mesmo, e assim tentar salvar alguma novidade. É a sessão Túnel do Tempo.

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O U2 fez dois shows em Paris no último fim de semana. As duas apresentações aconteceram no Stade de France e os ingressos haviam se esgotado há meses, levando cerca de 100 mil pessoas em cada dia para a turnê U2360 - assim batizada em razão do palco redondo que fica no meio da pista e que permite uma visão de 360 graus de todo o estádio.

Eu não comprei ingresso, mas acabei indo nos dois dias. Como eu fui parar lá? Pois eu conto! Vendendo camisetas, oras!

Na dureza do €uro, no desespero de ver o meu suado dinheiro ir pelo ralo numa velocidade alucinante, resolvi que era hora de ganhar na moeda local. Como contato é tudo na vida, meu amigo Felipe "Sombrinho" Lins (aquele que abandonou o barco) me colocou na boa para trabalhar nos vários shows no Zénith de Paris e no Stade de France. Funciona assim: no Zénith, trabalho no bar vendendo bebida, bala, chocolate e sanduíche, enquanto que no Stade de France eu fico em uma das várias lojinhas espalhadas pelo estádio vendendo produtos oficiais, ou seja, camisetas, DVDs, posters, bonés e tudo quanto é tipo de quinquilharia das bandas que vão tocar no dia. Com isso, vejo pelo menos uma parte de todos os shows - e, mais importante, de graça.

A sorte grande no caso do show do U2 foi que eu trabalhei no estande central, no meio da pista, ao lado do palco. Essa posição privilegiada traz vantagens e desvantagens. O lado bom é estar exatamente ao lado do show desde o começo. E quando eu digo desde o começo, incluo aí a passagem de som da banda feita horas antes da abertura dos portões e que um segurança tentou me impedir de filmar. A desvantagem é que se trabalha sem parar um segundo desde a entrada do público e até o começo do show. Mas aí, quando o show começa, é só alegria. Ninguém quer experimentar camisa nessa hora e, com isso, sou liberado para ver o show e só volto quando ele acaba. Muito bom negócio.

Poder estar presente nos dois dias aguçou meu senso crítico. Pude tirar várias conclusões comparando o show de sábado com o de domingo. Pra começar, a voz do Bono não é mais a mesma. No primeiro dia, eu fiquei impressionado em ver que ao mesmo tempo em que as rugas do Bono apareciam em alta definição no enorme telão que ficava em cima do palco, sua voz era a mesma de 20 atrás. Realmente me impressionou. Mas, como tudo tem um "mas", veio o domingo e era nítido o tanto que a voz estava mais fraca. E quando digo mais fraca, quero dizer vergonhosamente baixa, sem potência e desafinada. Uma pena. Meu conselho é: escolha sempre o primeiro dia de show quando houver duas datas seguidas.

Em segundo lugar, por mais que o U2 faça um belo trabalho humanitário, é irritante a pose de messias do Bono. No sábado, o telão algumas vezes o focalizava com um dos refletores do estádio ao fundo, criando um contraste em torno de sua silhueta que lhe dava ares divinos. Eu pensei "que legal, até parece de propósito". Pois eu digo: é de propósito. As mesmas imagens messiânicas se repetiram diante dos meus olhos no domingo.

Outro mito que caiu foi a história de que todo cantor fala para o público que aquela é a melhor platéia que ele já viu. Quando o Bono falou no sábado que aquela tinha sido uma das melhores noites da sua vida, fui logo dando uma de mulher desconfiada e pensando "aposto que ele diz isso pra todas". Bom, na verdade não. Pelo menos não em Paris. Pode ser que ele use essa estratégia em cada cidade, mas fico desconfiado porque o primeiro show foi tão melhor que o segundo que é provável que a noite de sábado tenha sido realmente diferente para a banda. Fica a dúvida...

Finalmente, antes que isso fique insuportável de ler, um pequeno comentário sobre a indústria fonográfica. A chegada da internet e dos downloads em formato mp3 revolucionaram o mercado. Tirando os fãs dessa ou daquela banda e a turma que gosta de ter o encarte em casa, ninguém mais compra CD nas lojas. Com a principal fonte de renda dos artistas e gravadoras cortada, a reinvenção passa justamente por shows desse porte e da estrutura montada para fazer dinheiro. É pão e circo na veia. Enquanto o U2 cantava, eu vendia camiseta a 35€. Camisetas de qualidade duvidosa, com o preço de custo muito mais baixo que o de um CD, mas vendidas por quase o dobro do preço. Isso sim é rentabilidade. O meu estande sozinho vendeu mais de 50 mil euros em camisetas só no primeiro dia. Com essa mina de ouro nas mãos, o que todas as bandas deviam fazer é disponibilizar suas músicas para serem baixadas de graça na internet, aumentando assim o número de pessoas que têm acesso ao trabalho e, consequentemente, o número de pessoas que vão aos shows gastar rios de dinheiro com ingressos, camisetas e bebidas. Isso sim é o ciclo do sucesso.

Depois desse papo furado todo, vamos ao que interessa. Os shows foram excelentes e são fortemente recomendados. Abaixo, fotos e vídeos dos dois dias e meu encontro inusitado com o pessoal do Skank.

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Passagem de som e uma amostra do meu cantinho de trabalho

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Passagem de som do the Edge e o tapinha desaprovador do segurança no meu ombro

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"Angel of Harlem" e homenagem a Michael Jackson

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"Pride (In the name of Love)"

14 de Julho

Pra quem não sabe, 14 de julho é o feriado nacional mais importante na França. O dia marca a queda da Bastilha - um dos eventos centrais da Revolução Francesa - e é comemorado oficialmente desde 1880 em todo país. Tradicionalmente, o 14 de julho é marcado por uma parada militar na Champs Elysées e por fogos de artifício na Torre Eiffel. Como bom estrangeiro, fui conferir de perto os dois eventos.

Primeira parte: uma parada bem parada

Nessa vida, tudo se resume a contatos. E nada melhor que morar junto com alguém que tem acesso livre a um terraço na Champs Elysées, a exatamente um quarteirão do Arco do Triunfo. A agência onde o Brunão trabalha liberou o espaço e assim nos distanciamos do povão que se espremia na avenida mais chique do mundo para termos uma visão, digamos, privilegiada da parada.

Vista panorâmica do terraço da agência

Devidamente acomodados em nosso espaço VIP, vimos de camarote a passagem relâmpago do presidente Sarkozy, o sobrevoo de diversos aviões e o lenga lenga interminável dos mais variados veículos militares. Sinceramente, nunca vi uma parada tão parada na minha vida. Entre o desfile do Sarkozy e a aparição dos aviões, nada aconteceu por pelo menos 10min. E isso se repetiu a cada cortejo. Se fosse desfile de escola de samba, o exército francês levaria um sonoro "zero" no quesito evolução. Tá certo que aparentemente a parte importante do desfile acontece na Place de la Concorde, o extremo oposto da avenida em relação ao Arco do Triunfo, mas mesmo sendo o trecho em que estávamos mais parecido com a coxia onde os militares se alinhavam para o desfile, eu esperava mais. Os franceses têm muito o que aprender com os brasileiros, esse povo sofrido e de samba no pé, quando o negócio é festa...


Militares enfileirados

Sarkô em seu jipe à jato: passou tão rápido que mal deu pra ver

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Força aérea francesa


Segunda parte: eu + 999.999

1 milhão de pessoas. Eu disse 1 milhão. Esse foi o número de presentes nos arredores da Torre Eiffel segundo cálculo dos organizadores da festa que comemorou os 120 anos do maior símbolo de Paris. Após enfrentarmos uma verdadeira selva no metrô e nos depararmos com algo que mais parecia o show dos Rolling Stones em Copacabana, nos instalamos de maneira cara-de-pau no melhor lugar do gramado. Eram 21h30, o sol ainda brilhava e as pessoas dançavam ao som de Johnny Halliday - o maior dinossauro do rock francês dando uma canja em sua enésima turnê de despedida.

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Sim, eu tinha dormido à tarde

Terminado o show, a pontualidade francesa mais uma vez deu as caras e o show de fogos começou às 22h45, como programado. Mais do que simples fogos de artifício, a celebração contou com um sistema de projeção que retratava diretamente na estrutura da Torre os principais acontecimentos que marcaram a França desde a inauguração do monumento em 1889. As duas guerras mundiais, o conturbado Maio de 1968, a globalização do século XXI e vários outros fatos foram embalados durante os quase 30min de queima de fogos por uma trilha sonora tão variada quanto os diversos anos ali reproduzidos. Apesar da muvuca, valeu cada segundo.

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Minutos finais

terça-feira, 14 de julho de 2009

Éramos três...

Felipe "Sombrinho" Lins partiu partindo e voltou para o Brasil. Deixou para trás algumas roupas de cama, um par de havaianas rasgado, um grill George Foreman e dois tios abandonados às próprias sortes na Europa.

Valeu por tudo, Sombrinho! A gente se vê logo mais.

sexta-feira, 20 de março de 2009

"Tous ensembles, tous ensembles, grève générale!"


Com um pano de fundo social, a manifestação reuniu membros dos oito principais sindicatos franceses e teve como principal alvo o presidente Sarkozy e sua política econômica, considerada insuficiente para conter os efeitos cada vez mais visíveis da crise mundial. Apesar da posição confortável da França frente aos vizinhos do bloco europeu, o desemprego atinge índices recordes e tornam-se frequentes os anúncios de fechamento de fábricas por todo o país. Além disso, medidas impopulares ligadas à reforma do sistema educacional levaram professores e estudantes a engrossarem o coro, levando a popularidade de Sarkozy a despencar novamente no mês de março ao obter apenas 42% de aprovação.
A situação às vezes foge um pouco do controle e coisas nunca antes vistas viram notícia no país. Semana passada, por exemplo, em um desses anúncios de fechamento no sudoeste da França, cerca de oitenta trabalhadores da fábrica da Sony em Pontonx-Sur-l'Adour mantiveram como refém o presidente da multinacional no país, libertado apenas depois de 24 horas de negociações.
Depois da última greve geral no gelado mês de janeiro, aproveitei o sol de primavera que resolveu dar as caras nos últimos dias em Paris e saí de casa para me juntar às milhares de pessoas nas ruas e ver de perto como funciona essa baderna organizada. 

Fiquei impressionado com a quantidade e variadade de gente na rua e a forma que protestam. Não há rodeios. Se a manifestação é contra Sarkozy, então é a ele que será dirigido o poder de fogo. Cartazes, faixas, broches e adesivos exibiam “Casse toi, pauvre con” (algo como “cai fora, babaca”), em alusão à mais famosa frase de Sarkozy desde que assumiu a presidência e dita a um cidadão que se recusou a cumprimentá-lo no Salão da Agricultura em 2008 (o vídeo, acessado mais de nove milhões de vezes no YouTube, pode ser visto aqui). Outros se comparavam à primeira-dama Carla Bruni, já que ambos são “fodidos” pelo presidente. E por aí vai...
No fim das contas, os números oficiais divulgados pelos sindicatos organizadores apontaram mais de 3 milhões de pessoas nas ruas.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Berlim 2008-2009


28 de dezembro de 2008. Alugamos um carro e encaramos 1.100 km de viagem de Paris até Berlim. O trajeto incluía o norte da França, a Bélgica de oeste a leste e um bom trecho na Alemanha. E falo que sem GPS, só chegaríamos lá depois de pelo menos uns dois dias de viagem. As estradas da Alemanha, apesar de extremamente rápidas e bem cuidadas, praticamente não possuem iluminação. E como é inverno e o sol se esconde por volta das 16h00, fica impossível ler qualquer placa. Principalmente quando se está a 170 km/h  ;-)

Fora o frio, que tornava insuportável nossas caminhadas diárias, deu pra aproveitar bastante. E gastando pouco. Sim, Berlim é uma cidade incrivelmente barata quando comparada a Paris. Programas que nem passam pela nossa cabeça aqui em Paris por causa do preço eram feitos diariamente por lá. Enquanto uma cerveja comprada num bar aqui custa em média 6 euros, em Berlim se bebe uma cerveja maior e melhor por um preço que não chega nem na metade.


Ah, e se você quiser comer um sanduíche no Subway, saiba que apenas em Berlim existe a promoção com batata e Red Bull.


Passamos o reveillon na região do Portão de Brandemburgo e depois fomos a um lugar chamado KulturBrauerei. No dia seguinte, começamos nossa viagem de volta, acompanhados pelas Srtas. Patrícia e Débora, amigas brasileiras radicadas em Barcelona e que também estavam por aquelas bandas. Resolvemos parar em Colônia, exatamente no meio do caminho, para dividirmos o longo trajeto e conhecermos a cidade, famosa por sua enorme catedral gótica.

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Agora, já faz algumas semanas que estamos de volta à triste realidade financeira de Paris. Uma pena, realmente uma pena.